Os números que ninguém mostra

O Terapia de Homem não é baseado em opinião. Esta página reúne o que sustenta o projeto: os dados que mostram por que ele precisa existir, e os instrumentos científicos por trás dos check-ups.

Suicídio masculino no Brasil

O Brasil registra em torno de 14 mil mortes por suicídio por ano, e aproximadamente sete em cada dez são homens.

A faixa etária mais atingida é a de homens adultos em idade produtiva — justamente quem, socialmente, "não deveria" estar mal.

Fonte: Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS).

Masculinidade e saúde mental

É por isso que o Perfil de Masculinidade existe neste site: não para julgar, mas porque as normas tradicionais de masculinidade — em especial autossuficiência e controle emocional — são dimensões mensuráveis do instrumento CMNI, com validação brasileira.

Fonte: Hsu K, Iwamoto DK. Testing for measurement invariance in the Conformity to Masculine Norms-46 Inventory. Psychology of Men & Masculinity. 2014;15(4):397-406. doi:10.1037/a0034548

Álcool e apostas

O consumo de risco de álcool é significativamente maior entre homens, e está associado a acidentes, violência, depressão e suicídio.

Mais recentemente, as apostas online se tornaram questão de saúde pública no Brasil. O perfil predominante de quem aposta é masculino, concentrado na faixa adulta produtiva. O transtorno do jogo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e pela classificação psiquiátrica americana como transtorno aditivo, com mecanismos neurobiológicos semelhantes aos da dependência química.

Fontes: OMS; VIGITEL; Ministério da Saúde; CID-11; DSM-5.

Populações específicas

Homens gays e bissexuais apresentam taxas mais altas de depressão, ansiedade e tentativa de suicídio. O modelo teórico que explica essa disparidade é o de estresse de minoria: não é a orientação sexual que adoece, é a exposição crônica ao preconceito.

Homens negros enfrentam o racismo como determinante social de saúde mental, somado a maior exposição à violência e a barreiras concretas de acesso ao cuidado. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, de 2013, prevê atenção específica aos agravos decorrentes da discriminação racial.

Fontes: Meyer IH. Prejudice, social stress, and mental health in lesbian, gay, and bisexual populations. Psychological Bulletin. 2003;129(5):674-97. doi:10.1037/0033-2909.129.5.674; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Atlas da Violência; Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, 2013.

Os instrumentos usados nos check-ups

Todos os check-ups deste site utilizam instrumentos reconhecidos internacionalmente, com validação em português brasileiro, aplicados conforme suas regras originais de correção.

InstrumentoO que avaliaReferência
PHQ-9Sintomas depressivosKroenke & Spitzer; validação BR: Santos et al. (2013)
GAD-7Sintomas de ansiedadeSpitzer et al. (2006); validação BR: Moreno et al. (2016)
AUDITPadrão de uso de álcoolOrganização Mundial da Saúde
DASS-21Sintomas de estresseLovibond & Lovibond; validação BR: Vignola & Tucci (2014)
Escala de RosenbergAutoestimaRosenberg (1965); validação BR: Hutz & Zanon (2011)
CMNI-29Conformidade com normas masculinasHsu & Iwamoto (2014); validação BR: Silva et al. (2019)

O que os check-ups não são

Vale ser explícito.

Eles não são diagnóstico. Rastreamento e diagnóstico são coisas diferentes: o primeiro sinaliza que vale investigar, o segundo exige avaliação profissional.

Eles não medem intensidade de sofrimento. Medem frequência de sintomas em um período. Duas pessoas com a mesma pontuação podem estar vivendo experiências completamente distintas.

Eles não preveem risco. Nenhum instrumento de autoaplicação faz isso de forma confiável.

E o Perfil de Masculinidade não classifica ninguém. O CMNI não possui pontos de corte clínicos nem categorias como "masculinidade tóxica". Ele descreve, não julga.

Como escolhemos os dados

Todo dado publicado neste site tem referência completa e verificável. Não usamos formulações como "estudos mostram" sem indicar qual estudo.

Damos preferência, nesta ordem, a pesquisas com homens brasileiros, com homens latino-americanos e, por fim, com qualquer população masculina — sempre indicando onde o dado foi observado, para que você saiba a que realidade ele se refere.

Quando não encontramos evidência sólida sobre algo, preferimos não afirmar nada.

Se você identificar erro, dado desatualizado ou afirmação sem fonte, escreva para nós. Corrigimos: vinicius_rondon@hotmail.com

Referências por tema

Todo dado citado neste site está listado abaixo, com a referência completa. Se você encontrar alguma informação sem fonte, nos avise.

Depressão

  • Homens têm maior probabilidade que mulheres de serem classificados como falso-negativos em instrumentos de rastreio psiquiátrico.

    Estudo conduzido em três clínicas de atenção primária na cidade de São Paulo, com 875 pacientes, validado em subamostra de 260 contra o Clinical Interview Schedule.

    Mari JJ, Williams P. Misclassification by psychiatric screening questionnaires. Journal of Chronic Diseases. 1986;39(5):371-8. doi:10.1016/0021-9681(86)90123-2

  • Normas masculinas (controle emocional, autossuficiência, priorização do trabalho) associam-se a maior alexitimia, que dificulta a regulação emocional e se conecta a sintomas de ansiedade e depressão.

    740 homens cisgênero, 22 a 80 anos, EUA e Reino Unido. Mecanismo psicológico estudado internacionalmente, não dado de prevalência brasileira.

    Mancini VO, Ditzer J, Brett JD, Gross JJ, Preece DA. Internalizing Symptoms in Men: The Role of Masculine Norms, Alexithymia, and Emotion Regulation. Sex Roles. 2025;91:71. doi:10.1007/s11199-025-01615-0

  • Maior endosso de normas tradicionais de masculinidade associa-se a atitudes menos favoráveis à busca de ajuda psicológica e a maior autoestigma.

    Meta-análise de 35 amostras; atitudes negativas r = -0,379 e autoestigma r = 0,351 (p < 0,001).

    Üzümçeker E. Traditional Masculinity and Men's Psychological Help-Seeking: A Meta-Analysis. International Journal of Psychology. 2025;60(2):e70031. doi:10.1002/ijop.70031

  • Achado replicado em amostra de atenção primária em Santiago, Chile.

    Araya R, Wynn R, Lewis G. Comparison of two self administered psychiatric questionnaires (GHQ-12 and SRQ-20) in primary care in Chile. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology. 1992;27(4):168-73. doi:10.1007/BF00789001

  • As baixas taxas de depressão registradas em homens podem refletir vieses de mensuração e de notificação.

    Revisão sobre determinantes sociais da saúde mental masculina, que examina a controvérsia entre baixa prevalência diagnosticada e alta mortalidade por suicídio.

    Affleck W, Carmichael V, Whitley R. Men's Mental Health: Social Determinants and Implications for Services. Canadian Journal of Psychiatry. 2018;63(9):581-9. doi:10.1177/0706743718762388

Ansiedade

  • A prevalência de qualquer transtorno mental ao longo da vida na Região Metropolitana de São Paulo foi de 44,8%, e o risco estimado aos 75 anos foi de 57,7%. Os transtornos de ansiedade constituíram a classe mais frequente.

    Estudo epidemiológico de base populacional com amostra probabilística de 5.037 adultos residentes na Região Metropolitana de São Paulo, avaliados com o Composite International Diagnostic Interview, versão World Mental Health Survey. Taxa de resposta de 81,3%.

    Viana MC, Andrade LH. Lifetime prevalence, age and gender distribution and age-of-onset of psychiatric disorders in the São Paulo Metropolitan Area, Brazil: results from the São Paulo Megacity Mental Health Survey. Brazilian Journal of Psychiatry. 2012;34(3):249-60. doi:10.1016/j.rbp.2012.03.001

  • Mulheres apresentaram maior probabilidade de transtornos de ansiedade e humor; homens, de transtornos por uso de substâncias.

    Viana MC, Andrade LH. Brazilian Journal of Psychiatry. 2012;34(3):249-60. doi:10.1016/j.rbp.2012.03.001

Dados populacionais brasileiros

  • Aproximadamente sete em cada dez mortes por suicídio no Brasil são de homens.

    Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS).

  • Um em cada quatro atendimentos da atenção primária do SUS, entre adultos de 20 a 59 anos, é com paciente do sexo masculino.

    Ministério da Saúde, Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.

  • Homens brasileiros viviam em média 73,1 anos em 2023, 6,6 anos a menos que as mulheres.

    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Tábuas Completas de Mortalidade para o Brasil, 2023.

Vícios

  • Entre usuários de sites de aposta no Brasil, 66,8% apresentam jogo de risco ou problemático, contra 26,8% entre praticantes de outras modalidades de jogo.

    Levantamento nacional com 16.608 brasileiros de 14 anos ou mais, incluindo subamostra de 4.914 pessoas dedicada a jogos de aposta. Utilizou a escala Problem Gambling Severity Index (PGSI).

    III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III). Universidade Federal de São Paulo, 2025.

  • O perfil do apostador brasileiro é predominantemente masculino: 64,8% são homens, com concentração de 50,6% na faixa de 25 a 49 anos.

    III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III). Universidade Federal de São Paulo, 2025.

  • Estima-se que 13% dos brasileiros com 16 anos ou mais realizaram apostas esportivas nos 30 dias anteriores à pesquisa, o equivalente a aproximadamente 22 milhões de pessoas.

    Pesquisa nacional com 21.808 entrevistados.

    Instituto de Pesquisa DataSenado. Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento. Brasília: Senado Federal, 2024.

  • O transtorno do jogo é reconhecido internacionalmente como dependência comportamental.

    World Health Organization. International Classification of Diseases, 11th Revision (ICD-11). Genebra: OMS, 2019.

    American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA, 2022.

Separação

  • Em 2024, a guarda compartilhada tornou-se pela primeira vez a forma mais adotada nos divórcios com filhos menores, com 44,6% dos casos, contra 42,6% de guarda exclusiva materna.

    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estatísticas do Registro Civil, 2024.

  • A proporção de homens como principal responsável pelos filhos passou de 5,5% em 2014 para 3,3% em 2022.

    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estatísticas do Registro Civil.

Solidão

  • A medida da solidão por questão única pode subestimar sua prevalência, especialmente entre homens.

    Estudo de base populacional com adultos brasileiros não institucionalizados de 50 anos ou mais, integrante do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros. Os próprios autores registram essa limitação metodológica. Os achados referem-se a adultos brasileiros não institucionalizados de 50 anos ou mais e não devem ser generalizados para a população geral.

    Sandy Júnior PA, Borim FSA, Neri AL. Solidão e sua associação com indicadores sociodemográficos e de saúde em adultos e idosos brasileiros: ELSI-Brasil. Cadernos de Saúde Pública. 2023;39(7):e00213222. doi:10.1590/0102-311XPT213222

  • A solidão está associada a pior qualidade de sono, sintomas depressivos e pior autoavaliação de saúde.

    Sandy Júnior PA, Borim FSA, Neri AL. Solidão e sua associação com indicadores sociodemográficos e de saúde em adultos e idosos brasileiros: ELSI-Brasil. Cadernos de Saúde Pública. 2023;39(7):e00213222. doi:10.1590/0102-311XPT213222

Raiva

  • Não foram encontradas diferenças entre homens e mulheres na prevalência de transtornos do controle de impulsos, exceto quanto aos transtornos de conduta, mais frequentes em homens.

    Estudo epidemiológico de base populacional com amostra probabilística de 5.037 adultos residentes na Região Metropolitana de São Paulo.

    Viana MC, Andrade LH. Lifetime prevalence, age and gender distribution and age-of-onset of psychiatric disorders in the São Paulo Metropolitan Area, Brazil: results from the São Paulo Megacity Mental Health Survey. Brazilian Journal of Psychiatry. 2012;34(3):249-60. doi:10.1016/j.rbp.2012.03.001

Estresse

  • O esgotamento profissional (burnout) é classificado pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional decorrente de estresse crônico no trabalho não gerenciado, caracterizado por exaustão, distanciamento mental do trabalho e redução da eficácia profissional.

    Incluído na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças, no capítulo 'Problemas associados ao emprego ou desemprego', código QD85.

    World Health Organization. International Classification of Diseases, 11th Revision (ICD-11). Genebra: OMS, 2019. Código QD85.

Homens Negros

  • Mais da metade dos 218 milhões de brasileiros se declaram pretos ou pardos.

    Citado em: Instituto Promundo. Programa H: Manual para a ressignificação das masculinidades. Rio de Janeiro, 2025, p. 54.

    IBGE. Painel Cor ou Raça, 2022.

  • 69,1% da população carcerária brasileira é composta por pessoas negras, sobrerrepresentação constante desde 2005.

    Citado em: Instituto Promundo. Programa H: Manual para a ressignificação das masculinidades. Rio de Janeiro, 2025, p. 55.

    Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, p. 360.

  • Em 2023, a taxa de mortes decorrentes de intervenções policiais foi até 289% maior entre pessoas negras do que entre pessoas brancas.

    Citado em: Instituto Promundo. Programa H: Manual para a ressignificação das masculinidades. Rio de Janeiro, 2025, p. 54.

    Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024.

Sobre o São Paulo Megacity Mental Health Survey

Estudo de base populacional que avaliou morbidade psiquiátrica na Região Metropolitana de São Paulo, integrando a iniciativa World Mental Health Survey da Organização Mundial da Saúde. O desenho metodológico, a amostragem e a implementação de campo estão descritos em publicação específica.

Viana MC, Teixeira MG, Beraldi F, Bassani IS, Andrade LH. São Paulo Megacity Mental Health Survey — a population-based epidemiological study of psychiatric morbidity in the São Paulo metropolitan area: aims, design and field implementation. Brazilian Journal of Psychiatry. 2009;31(4):375-86. doi:10.1590/S1516-44462009000400016

Responsabilidade técnica

Todo o conteúdo e os instrumentos deste site são revisados por Vinicius Rondon, psicólogo clínico, CRP 07/24537.

Este site não substitui atendimento profissional. Se você está em crise, ligue 188 (CVV) — 24 horas, gratuito.