Violência contra a mulher

O recorde de feminicídios no Brasil e o que a saúde mental masculina tem a ver com isso

Ciúme, controle e raiva não explicam nem desculpam a violência. Reconhecer e interromper esse padrão é responsabilidade de quem o pratica.

5 min de leitura

O recorde de feminicídios no Brasil e o que a saúde mental masculina tem a ver com isso

Em 2025, o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica, e o quarto ano seguido de alta. A taxa chegou a 1,4 feminicídios por 100 mil mulheres, um aumento de 4% em relação a 2024. Houve ainda 4.189 tentativas de feminicídio no mesmo ano, 2,7 tentativas para cada caso consumado.

Agora, o dado que interessa diretamente a este site: em 96,4% dos casos de feminicídio no Brasil, o agressor era homem, e em 60,9% dos casos era um parceiro íntimo da vítima. Setenta mulheres foram mortas em 2025 mesmo com medida protetiva ativa, e os casos de descumprimento de medida protetiva subiram 16,7% no mesmo período.

Isso não é estatística distante. É um problema que se origina, quase sempre, dentro de um padrão masculino de lidar com ciúme, controle e raiva que sai do controle antes de qualquer coisa acontecer. E é exatamente por isso que a legislação brasileira já reconhece que trabalhar esse padrão faz parte da prevenção, não é "amenizar a pena". A Lei 13.984/2020, que alterou a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), passou a prever a participação do agressor em grupos de responsabilização e reeducação como medida protetiva de urgência, justamente porque conter o comportamento antes que ele escale salva vidas.

Este site não existe para explicar violência, muito menos para desculpá-la. Existe para dizer o seguinte com todas as letras: se você reconhece em si um padrão de ciúme excessivo, necessidade de controlar quem sua parceira vê ou fala, ou raiva que sobe rápido demais em uma discussão, esse é o momento de procurar ajuda, antes que vire alguma coisa que não tem mais volta. Isso já está desenvolvido no tema Raiva deste site, na seção "Quando a raiva chega em quem você ama". Buscar ajuda nesse ponto não é fraqueza. É a única atitude responsável.

O que os dados mostram

Fonte completa e contexto do levantamento

Reconhece esse padrão em você? O primeiro passo é entender o que está por trás dele.